quinta-feira, 23 de outubro de 2014

E aí, tem esquema? (Parte 2)

Cheguei na casa da mulherzinha meio assustado... O que o João queria me dizer com aquele sorriso de deboche? Eu estava mandando tão mal assim? Olhei pro Darth Vader e... Sim, eu estava mandando mal.

Agora não tem mais volta. Dane-se! Já fiz coisa pior. Então abracei a causa e entrei na sala já agarrando a coisa toda. E sem essa de cerimônia pra fazer ela se sentir especial e confortável. Não precisa. Respeitar, sim, mas não perder tempo enfeitando o pavão.

A grande bandeira desse blog é que cada mulher sabe o quanto é bonita ou o quando é feia. Tanto que elas sabem onde passar a maquiagem, o quanto passar e quando a maquiagem não vai mais enganar. E, naquela ocasião, eu torcia para a rã virar princesa por mágica.

Eu me arranjei sem muito esforço e por que eu deveria exigir uma Panicat? Abracei sem cerimônias e beleza. Mas... Calma... Entramos na sala escura e não estávamos sozinhos. Por que ela não acendeu a luz, além de me poupar o susto?

Aaaaah! Gemidinhos!!!


 - Ae, Pilatus, manda bronca!!! - Era o Leandrinho. 

- Aeee...
- Aeee...
- Aeee...

Mais 3 vozes desconhecidas, então estávamos em seis pessoas.

Estávamos sentados em um sofá e comecei a abusar da tal pessoa. Beleza, normal, vergonhoso e escuro. Ninguém via ninguém. Só escutando gemidinhos das outras 4 pessoas. Mas esses gemidinhos eram num nível mais avançado do que o esperado. Oooolha!!! Estão dando um pelado! Mas sem misturar casais. Bunda-lelê moderado e legalizado! Ah! Agora dá pra ter vantagem!

Comecei a melhorar a brincadeira, empolgação surgindo, bacana, absoluto, vamos em frente... 

- Leandro, dá uma camisinha aí!

Amizade é não ter que pedir "por favor", nem fala "obrigado". Mas não pude nem pensar em agradecer, porque ficamos uns 5 minutos no "pega ali? Onde? Ali! Onde? Aí...". Até a suma inteligência de Darth Vader inventar de ligar a luz pra procurar.

Ela acendeu e já gritaram "apaga, porra!"

Apagou-se a luz, mas não apagou minha memória. Jamais vou esquecer o que eu vi naqueles dois segundos de olhos arregalados e surpresos da minha visão: Eram dois casais. Um em cada canto da sala. Todos deitados e fazendo esporte na horizontal sem água. Até aí, normal.

O Leandrinho em cima de uma menina que não poderia ficar em cima dele. Ele sempre foi magro, e naquela situação, imaginei que a menina estava engolindo ele. Sem mastigar. Ela não tinha ossos largos e não era forte, mas acho que, em vidas passadas, ela economizou e agora tem dois corpos para uma alma só.

Já o outro casal eu não conhecia, mas também não era o Brad Pitt e a Angelina Jolie. Eu nem mesmo os conhecia, então são só coadjuvantes na minha aventura.

O que me assustou mesmo foi o Leandrinho. Rapaz boa pinta, narigudo e se afogando ali. Senti vergonha de estar lá. Sinto vergonha de contar isso hoje, pois eu não estava em condições de fazer piada. Se for pra comparar, ele pode dizer que o cabelo da mina dele mexia.

Mas, o que me mantinha ali era a adrenalina, era a emoção de sair vivo daquele lugar. Então vamos lá. De luz apagada e camisinha na mão, eu pensei "o que eu estou fazendo no meio dessa galera?" A Darth Vader era a dona na casa. Ela deve ter outro lugar escondido.

- Ow, vamos pro seu quarto?
- Não dá.
- Ué? Por que?
- Meu pai está lá.

O que??? Subiu um arrepio maior de quando eu a vi de frente. Já imaginava o velho saindo com espingarda na mão e me acusando de abusar da filha dele.

- Tá bem. Mas você tem outro lugar então?
- Tem. Vem comigo.

Ufa! Finalmente um benefício! Eu já imaginando qualquer coisa: um quarto onde o pai dela guarda ferramenta, a casa do cachorro...

- Olha, tem o banheiro aqui de fora. Tudo bem para você?
- Ah, tudo bem.

Sou bonzinho. Poderia falar "se não tiver cheiro, ta ótimo" ? Mas não era para escolher muito: estava bêbado, pouca grana, de carona, sem nada pra fazer, 

"Ação!" gritou o diabinho no meu ombro com cadeira de diretor de cinema. O envolvimento começou e me esforcei. Hoje penso em cena de filme do Rambo: suado, sujo, com muito trabalho a fazer. Estávamos no pequeno banheiro do fundo da casa, suando e fazendo o menor barulho possível. Estava tudo certo até aparecer o fuá.


----- Pausa na história -----
Fuá - Lendário e milenar cheiro denso e azedo habitado em partes íntimas mal lavadas.
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Malaaaandro! Eu tenho o nariz ruim, mas o cheiro era tão forte que eu afastei minhas roupas para não impregnar. Eu virei a cara, prendi a respiração e acelerei a cena. Eu pensei em dizer algo à donzela, mas eu não iria mais ver a moça e achei que não seria legal. Não sei como falaria também. Algo como "tem certeza que não tem nenhum bicho na tubulação?" não seria agradável. Dialogo não é o meu ponto forte, mas eu deveria ter perguntado sobre a hora que ela passou mal e quase vomitou.

"Você se importa se eu for embora?" é a clássica e educada maneira de subir a fumaça ninja para sumir. Coloquei a roupa e chamei o Leandrinho pra ele me levar de moto. Ele queria que eu ficasse. Nem falei nada. Não dava nem pra sair correndo, pois nem sabia onde eu estava.

Fui embora e depois contei ao João e ao Leandrinho o que aconteceu. Só restou rir e perguntar "E aí, tem esquema?"

Ôôô, Canário!

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