quarta-feira, 4 de maio de 2011

Quando a coisa fica russa - parte 2

Pra quem não leu, é melhor ler a primeira parte.

Eu convidei a Rimma e usei o argumento de passar um ano novo na praia. Na Rússia, ela só tinha passado ano novo com neve, frio e sem muitas festas. Ela estava no Brasil e é claro que ela tinha que descer pra praia. Mas como eu faria isso? Colocaria ela num ônibus para a praia e falaria "se vira" em russo? Seria uma boa, eu estava namorando e minha namorada ficaria contente, mas não iria sorrir. Na verdade, você pode falar para sua namorada "Amor, ganhei na loteria", se algo estiver errado vai escutar "hum... não fez mais que a obrigação" e cruzam os braços.

Ok! Vou descer com a russa e a Pri (namorada) aceitou (resmungando). Mas o que faríamos em 3? Ficaria estranho. Aí que entraram os amigos: Leandro, Ivan e Luis Fernando. Poderíamos nos chamar pelos nomes, mas entre amigos fica difícil não apontar os defeitos, né? Carinhosamente eram o "Narigudo", "Jaspion" e "Muguila". (Munguila é derivado de Maguila. Recebeu o apelido pela aparência fofa de um pedreiro boxeador).

Dia 29, já estamos prontos e vamos em 2 carros: o meu carrinho e o "Ovo Móvel" do Munguila. Acho que o Ovo Móvel foi o primeiro carro dele. Estava tanto tempo com ele que já achávamos que ganharia uma placa preta e sería o único carro da vida dele. Um Corsinha Wind que virou uma lenda resistindo a tudo: cavalo-de-pau, buracos e o próprio Munguila. Cheio dos bichos de pelúcia pra agradar a mulherada (já que a aparência do dono não ajuda) e com um puta som que vale mais do que o carro.

Na hora de ir, a Pri ficou no carro do Munguila com ele e a Rimma escutando música e dando risada. Falei para Pri "bora pro meu carro?", ela resmungou e eu insisti. Ela ficou chateada e expliquei que o Munguila dirige com muita emoção e é perigoso. Então ficamos Ivan, Priscila e eu no meu carro, e ficaram Leandro, Rimma e Munguila no Ovo Móvel.

Logo que saímos para Ubatuba, o Munguila já se perdeu para entrar na marginal USANDO GPS. "Beleza, nos encontramos lá". Seguimos e paramos só depois de uma hora e meia de viagem. Liguei para o Leandro e eles estavam perdidos em Salesópolis, fora do caminho para Ubatuba. Lembrando que eles estavam COM GPS. Aí a Priscila entendeu porquê eu insisti para ela vir no meu carro.

Depois eles contaram que na estrada que pegaram, era um breu só. Tudo escuro. Se desligasse o farol do carro, não daria para enxergar nada. Mesmo assim, eles encontraram 1 cara deitado no meio-fio (morto? Não ficaram pra ver), e um cachorro que se espantou e saiu de lado como um siri. Eles não admitiriam nunca, mas ali acho que eles ficaram com a roela na mão. E a Rimma? no banco de trás dormindo. Até roncava.

Chegamos em Ubatuba, esperamos O Ovo Móvel e seus passageiros, e fomos procurar um camping. Não conhecíamos nenhum, não dá para reservar pelo telefone, muitos já estavam lotados, mas conseguimos achar 1 camping baratinho. Camping não é um luxo e estávamos conscientes disso. Mas aquilo era de outro mundo.

Começando que não era bem frequentado. Um povinho feio que dava pra contar quantos dentes tinham no camping inteiro. Chegamos tarde e os melhores lugares estavam ocupados. Nem sei se tem um "melhor" lugar, mas nós sabíamos que estavamos no pior. Ficamos na passagem. Todo mundo que entrasse ou saísse do camping, passaria por nossas barracas. Parecia a vila do Chaves: todo mundo pagando um aluguel pra um muquifo e todo mundo tirando sarro.

Mas não era só isso. O banheiro parecia loja de louça que você não podia encostar em nada pra não dar merda. Dava nojo. Fiquei sabendo que o feminino estava pior. Mesmo assim ainda dava para fazer tudo. Não lembro quem deixou o sabonete cair (chuveiros em box separados) e lavou tanto o sabonete até ficar do tamanho de um sabonete de hotel.

Olha, era difícil. Roubaram a toalha da Priscila, estava um cheiro de cigarrinho do capeta... até aí dava para suportar. Comprei cadeados, outra toalha e o cheiro não era o dia todo. Mas o pior aconteceu: Choveu durante a noite.

Acordei e vi que tinha uma pequena piscina dentro da barraca. O Leandro, que dividia a barraca com o Munguila (au aaaau), gritava da barraca dele "Eu não acredito! Eu aqui na praia chovendo e do lado desse Maguila". Saí da barraca e visitei os vizinhos. A barraca da Rimma estava com a piscina interna maior do que a minha. O Ivan estava seco e de boa na barraca dele.

O Maguila tinha investido na barraca dele. "Vou comprar uma melhor e eu uso outras vezes". Chegou lá, não montou a parte que protegia a entrada da barraca, a água caía e ia direto pra dentro da barraca dele. Tinha tanta água que parecia que ele ia surfar lá dentro. E ainda inventaram de comer dentro da barraca. Comeram uma sardinha enlatada e deixaram cair o óleo. Comeram também uns biscoitos. Acho que depois de ver a barraca do Maguila, eu nem tinha o que reclamar do banheiro.

Mas me revoltei com a situação de todos. Peguei o carro e fui achar outro lugar para gente. E só tinha passado 1 dia da viagem. Ôôô, Canário!

4 comentários:

  1. Coisas pra parar e pensar antes de convidar os outros pra ficar em sua casa..ahsuhaushausha

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  2. Leandro Sant ana4 de maio de 2011 19:56

    Minha Nussa Senhora, esperem até ver o Final da história!!

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  3. Melhor história até agora! Ri bastante!

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