quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Reveillon na Bahia

Já era noite, e eu estava acompanhando os números da MEGA DA VIRADA 200 milhões de reais. Eu não saberia o que fazer com 200 mil, imagine 200 milhões. Um perigo! Mas eu realmente gostaria de correr esse risco. Opa! Só eu. Comprei o bilhete de um ceguinho em Ribeirão Preto. Fiz uma boa ação, até dei dinheiro a mais. Começa o sorteio. Saiu o primeiro número. Errei. Saíram os outros 5. E não passei perto de nenhum número. Vai ver é um sinal divino: matenha-se longe dos ceguinhos.

Azar no jogo, azar no amor, mas sorte na amizade. Estava com amigos e a filha da Carla. Precisávamos deixar a menina com a tia em Dias Dávila, cidade perto de Salvador. Perto? Eu dormi no caminho, acordei no caminho, dormi de novo, acordei com uns buracos na estrada. E entendi porquê o Leandro já estava começando a ignorar os buracos: ele já tinha dirigido 1 hora. Já era 22h do dia 31. Precisávamos nos apressar.

Chegamos na cidade, encontramos uns parentes da Carlinha. Um primo do cunhado do tio da prima da vizinha da bezerra do avô da Carla, disse que ninguém mais conseguia entrar na praia do Forte, onde tínhamos pensado em festejar a virada do ano. Solução era ir para outra praia, e rápido.

Seguimos o parente da Carla. Saímos pela estrada escura. Chegamos em Arembepe. Uau! Que show de bola! Eu pensei que iria rolar um futebol mesmo. Estava cheio de Ronaldinhos Gaúchas e Geises Arruda. Ao som de uma música que eu tenho vergonha de lembrar. Era um tal de arrocha. Nada contra quem curte, mas o impacto era maior com a trilha sonora. Eu poderia dizer "Ôôô, Canário"? Não. Ôôô, povinho feio!

Ainda tinha o tal do arrocha. Uma música meio axé, meio brega, meio sei lá. O povo tinha swing. Tinha, sim. Um rebolado, um movimento de quadris com roupa. Parece que a Bahia é o lugar mais dançante. Já estava achando que baiano dançava até com a música do gás:

- Mãinha, o carro do gás tá passando.
- Espera que é a parte da música que eu gosto.

Estávamos cheios de fome. Procuramos um lugar para comer. Caminhávamos como fossemos novos no presídio: sem encarar, sem causar, querendo ser transparente e sonhando a hora de acabar tudo isso. Até que achamos uma pizzaria. Entramos e pedimos uma pizza.

Enquanto esperávamos óstia gigante cortada em 8, a bexiga da Carla resolveu ter destaque. Ela procurou um banheiro e não encontrou. Mas achou uma janela que não tinha visão de nada. Era a saída (ou a entrada) para um vão entre a casa ao lado e a pizzaria. Foi ali mesmo que ela regou as plantas à moda antiga.

A pizzaria era engraçada. Não tinha banheiro, não tinha nada. Quase não tinha pizza também. A pizza que veio, era aquelas de supermercado. E superfaturada. Coisa de 30 reais. Comemos, ué! Para quem tem fome, só importa o tamanho do prato.

 


Terminada a pizza, fomos para a areia. Na verdade, não fomos. Estava assustador. Sem luz, um monte de gente bebendo, fumando cigarrinho do capeta (acho que ele estava por lá), garrafas que poderiam cortar uns paulistas... não dá. Ficamos na entrada da praia mesmo. Queimaram os fogos, todo mundo se abraçou, manda sms, bebe um pouquinho... Êee! Reveillon na Bahia!

Para completar, pegamos um trânsito na volta que eu não lembro igual. Olha que moro em São Paulo e trabalho do outro lado da cidade. Ficamos UMA HORA para andar 100 METROS. Ôôô, Canáriooooo!

Não pulamos as 7 ondinhas, mas saímos com todos os pecados pagos de 2010.

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