quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Solteiro e quase sortudo

Lá pra Abril de 2007, eu saía muito. Principalmente com meu amigo que se formou comigo, o Marcio. Não éramos ruins, não. Uma aparência razoável, todos os dentes, desodorante no prazo e bom humor. Se não rolasse alguma coisa com a mulherada, alguma risada iríamos dar.

Mas essa dupla tinha um grande defeito: a inibição. Como chegar na mulherada? Coisa de adolescente, né? Pô! É só chegar. Na hora você inventa qualquer besteira. Mulher adora uma gracinha oportuna. Mas, e a cara larga pra ir e fazer a brecha acontecer? A gente sempre se dava bem quando a brecha aparecia. Apareceu, missão cumprida. Não apareceu, cerveja.

Pão duros? Claro. Trabalhávamos e os salários eram baixo como se espera da maioria dos recém-formados. Às vezes com pesquisas e descontos dos sites, íamos conhecendo as baladinhas.

Na Vila Madalena, conhecemos o Enfarta Madalena. Nunca esqueço a gente passando na porta e perguntando o preço e a menina da porta respondendo “29 reais com uma cerveja”. Fechou!

Mas eu achei estranho. As meninas que trabalham na porta da balada costumam ser lindas. Nivel 8, no mínimo. Mas essa era nível 5. Você encontrar aviões na porta da balada, dá a impressão de que vamos encontrar isso lá dentro também. E a balada que não consegue nem mentir na entrada, já viu o que vai dar. Empolgados com o preço da entrada e o bônus, nem demos importância pra isso e entramos.

Bandinha rolando e fomos para o balcão buscar o bônus e aproveitar para olhar a fauna. Aí a propaganda lá fora, fazia jus ao conteúdo de dentro. Já estava pago. O jeito era encarar aquilo mesmo. Estava ruim, mas ainda dava para aproveitar alguma coisa.

Estávamos perto de um grupinho de meninas e a brecha apareceu. Acabei conhecendo uma mundrunguinha simpática e bonitinha, mas bem “marromenos”. E ela tinha uma amiga bonita mesmo. E daquele grupinho de umas 8 meninas eram a nata. Pensei que o Marcio fosse conseguir a brecha dele com a amiga bonita, mas não conseguiu.

Peguei a Marromenos. Missão cumprida. Acabamos por uns cantos do lugar até parar num mezanino e encontrar o Marcio. Olha, o Marcio não é o cara mais lindo do mundo, mas está longe de ser o pior. Ele conseguiria coisa melhor. De coração, conseguiria, sim. A menina que estava com ele era mundrungona*. Para ter idéia, ele pegou o telefone para não magoar, mas quando chegou em casa ele mudou o nome no Orkut para não se achado.

Na volta pra casa, eu não poderia ficar super orgulhoso, afinal era Marromenos. Mas fiquei aliviado, poderia ser pior... bem pior.

Legenda: *Mundrungona – mundrunga grande.

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