quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Pizza Gratuita

Às vezes me chamavam para umas festas, mas era certeza de uma roubada. Longe, gente que eu não conheço, música horrorosa. Mas às vezes ainda dava uma sorte. Então, estabeleci um critério: “Se estiver no inferno, abrace a empadinha”. O que interessa é ter comida. O resto é sorte.

Fui convidado para uma “reuniãozinha”. Daquelas que não são tão animadas como uma festa, mas aparecia comida e dava um povo afim de dar risada. Falaram pra mim “O povo vai ver um filme, pedir uma pizza e falar besteiras”. Ótimo! Ainda chamei meu amigo Denis:

- E aí, “vamo”?

- “Vamo”.

Quando saí para buscar meu amigo, resolvi ler o convitinho que mandaram. O nome era uma sigla, e no meio tinha o nome “Evangélio”. Não sou de religiões e ir a esse encontro, era procurar. O Denis também não é fã do assunto, mas se eu falasse alguma coisa, ele me deixaria sozinho. No caminho, eu contei sobre a sigla. E ele olhou para os lados e “Vamo, né?”

Era um salão de festa de um prédio numa região nobre. Era muito bonito. O pessoal arrumado, todos os dentes, nome fácil e sobrenome chique. Estabelecidos? Vamos assistir ao filme “Click”. Já tinha assistido umas duas vezes. E durante o filme, nada. Nem uma pipoquinha.

Acaba o filme. O Denis resolveu dar uma de palhaçinho e falou como narrador de futebol debochado:

- Vamos aos comentários do filme.

Uma outra no fundo:

- Isso! Vamos aos comentários. Que mensagem o filme quis passar?

Eu vi a cara dele de “Que merda!”. E pela conversa, parecia que eles se reuniam frequentemente para comentar os filmes e buscar a mensagem do filme. Comida? Nada.

Eu já estava pensando em sair pra comer. E não voltar. Mas não dava. Era muita mancada com quem me convidou. Eu tinha muita consideração.

Eis as pizzas que chegam. Alguém parou de falar quando as pizzas chegaram? Claro que não. Comentei alto ”Olha! Chegaram as pizzas!”. E nada. Só o Denis tem habilidade de ditar o ritmo da reunião.

Até que fomos comer. Valeu a espera. Pizza muito boa. Mas todos voltaram a comentar do filme. Mas aí a pizza já estava no lugar certo.

Finalmente, assunto esgotou. Vamos embora? Não. A mesma lá do fundo diz “Vamos orar”. Denis e eu nos olhamos com os olhos arregalados e expressão de “Onde é a porta?”. Durante o processo da oração, estávamos quietinhos. Fazer o que? Abraçamos as pizzas hoje, pagamos o preço.

Terminada a oração, nos ajeitamos e fomos embora. Com a barriga cheia de pizza e esquecendo os “acompanhamentos”.

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