quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Fantástico Churrasco na casa de alguém

Tinha uma aniversário de uma grande amiga dela. Lá fui eu para fazer cara de bolacha na hora do “Oooi. Quanto tempo! Esse aqui é meu namorado”. Ser agradável com pessoas desconhecidas é um esforço fora do comum: você faz cara de “que bom te ver”, mas pensa “por favor, exploda”. Mas começo de namoro você aceita muita coisa.

Para chegar no lugar, foi uma viagem. Metrô mais um ônibus. A referência era “descer no ponto da ‘torrinha’ “. O ônibus subia pelas ruas e estava demorando. Até que finalmente conheci a tal da “torrinha”: Era uma torre de fios de alta tensão. A casa era bem humilde e bem em baixo da torre.

A festa tinha churrasco, música e gente desconhecida. Ficamos boa parte do tempo na parte de cima da casa (onde não tinha festa). Quando descemos, me deu um aperto.



A aniversariante foi simpática ao passar a bandejinha com os pedacinhos de carne. Ela oferecia a todos, e na minha vez eu quis recusar. Ela insistiu. Eu recusei de novo. Ela insistiu de novo. Peguei um pedacinho e ela passou. Coloquei o pedaço na boca e senti que a carne estava fria. A queridíssima anfitriã estava empurrando as sobras? Acho que ela não tinha cachorro. Fui tentar morder a carne, e no mesmo esforço que meus dentes fecharam, eles abriram. A carne estava borrachuda. A solução era óbvia: jogar fora a carne.

Na hora que procurei uma maneira de despejar aquela borracha Faber Castell cheia de gordura, veio a aniversariante perguntando “Gostou da carne?”. Balancei a cabeça dizendo sim, e engoli aquela lasca de seringueira. A sensação de arrependimento foi imediata. E logo após piorou. Aquilo me deu um desarranjo daqueles, e procurei um banheiro urgentemente.

A “patente” ficava na parte de cima onde não tinha ninguém. Ótimo! Assim faço a obra sem aborrecimentos. Entrei no banheiro e vi um detalhe: no lugar da porta, tinha um pano muito leve e que não escondia nada. E a partir daquele momento não tinha mais volta. As estações de despejo estavam acionadas. Caminho sem volta. A sorte tinha ido embora, mas me telefonou. No momento da obra, não apareceu uma alma e tinha papel.

Depois de falar umas três vezes “vamos embora?”, ela concordou. Claro que rolou um pratinho de doces pra levar pra casa (não pra minha), e eu é que fiquei segurando no ônibus. Belisquei o brigadeiro. Era da mesma qualidade da carne, mas aí eu já estava indo pra casa feliz da vida por ninguém ter visto meu aperto na super festinha na casa de alguém.

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